A serenidade como prática de criação
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Quando o tempo passa a ser ferramenta
Vivemos em uma cultura que valoriza a velocidade. Produzir mais, lançar mais, sermos mais rápidos. No design de mobiliário, essa lógica também se manifesta.
A serenidade, no atelier, é uma postura diante da matéria, uma ferramenta que precisa ser afiada, assim como uma lixa, que vai gradualmente dando a textura que se espera.
Sereno é aquele que percebe e faz a leitura da realidade antes de agir, e esse é um aspecto muito relevante para o atelier. Apesar de ter máquinas barulhentas, que fazem parte do ofício, o silêncio também faz parte de varias etapas, e são esses momentos, que trazem profunda conexão.
Toda peça começa antes do corte da madeira. Começa na observação. No desenho feito na ideia e no papel. Na escolha do veio. No intimo que antecede o primeiro gesto.
A madeira carrega anos de crescimento. Anéis que registram clima, luz, chuva, vento. Ao chegar ao atelier, ela já traz uma história inscrita em sua fibra.
Criar com serenidade significa respeitar essa história. Significa permitir que o tempo continue participando da construção da peça. A secagem adequada. O descanso após o corte. A montagem precisa. O acabamento aplicado em camadas conscientes.
O tempo passa a ser um componente estrutural.
Serenidade também é movimento
Existe uma diferença fundamental entre velocidade e serenidade.
Lentidão pode ser ausência de ritmo.
Serenidade é escolha de ritmo.
No atelier, cada etapa tem seu intervalo necessário. Nem antecipada e nem forçada. Esse ajuste fino entre gesto e espera constrói precisão.
Quando um encaixe é feito manualmente, ele exige presença absoluta. O corpo inteiro participa. O olhar, a respiração, o toque sutil, a pressão da mão.
Serenidade é foco contínuo.
Por que isso importa
Escolher um móvel é uma tarefa que pode ter profundidade conceitual. É escolher um novo integrante para a casa, um convite para um objeto que irá fazer parte de momentos e histórias. Que pode ser um acolhimento no fim de um dia cansativo. Uma memória que será levada para as futuras gerações da família. (quantos objetos da nossa casa, guardam histórias de nossas famílias?)
Elas acompanham a vida.
A serenidade, quando incluída no processo, se transforma em qualidade percebida no cotidiano.
Entre o gesto e o tempo, nasce a forma.
Se deseja conhecer as peças que nascem dessa prática, visite a coleção completa do atelier.